MERCADO DA CARNE OVINA
Inicialmente a criação de ovinos era voltada para a produção de lã, eles eram criados mais significativamente na Região Sul (Tabela 1). Com a queda dos preços internacionais da lã, ocasionado pelo surgimento das fibras sintéticas e outras matérias-primas alternativas ao tecido natural, acarretou uma mudança no perfil da atividade. Portanto, a crise mundial que atingiu as criações laníferas criou a necessidade de se buscar novos padrões de animais que fossem especializados, também, na produção de carne, e permitiu o desenvolvimento da ovinocultura em regiões onde a criação desses animais não tinha expressividade (MARTINS; GARAGORRY; CHAIB FILHO, 2006).
Como é possível observar nas figuras 2 e 3, as populações ovinas cresceram em todas as regiões do país, exceto no Sul, que tinha a lã como principal produto da ovinocultura. Devido à crise da lã que atingiu o mercado a partir de 1990 o efetivo sulista apresentou uma redução significativa no rebanho (IBGE, 2010; SOUZA, 2008a).
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 2010 a estimativa do rebanho ovino brasileiro para o ano de 2008 era de cerca de 16,5 milhões de cabeças de ovinos, que correspondia a apenas 1,53% do rebanho mundial. Considerando as condições ambientais favoráveis e as dimensões territoriais do país, a ovinocultura não apresenta quantitativos expressivos de produção de carne, em termos absolutos e nem em rendimento, comparada com a atividade em países como Uruguai, Argentina, Nova Zelândia e Austrália.
Até pouco a carne era considerada um subproduto da produção de lã, oriundo de animais criados em extensivas áreas territoriais de raças pouco especializadas, velhos e com mau acabamento de carcaça. Todos esses fatores contribuíram para um consumo restrito da carne devido, à baixa qualidade do produto disponível no mercado, caracterizada por um sabor marcante excesso de gordura e pouca maciez (CUNHA et al. 2002).
O mercado da carne ovina tem evoluído no Brasil, e vem apresentando incrementos ano após ano com relação à produção e consumo, com tendências positivas e expectativas animadoras para o segmento (SOUZA, 2008b). Porém o consumo ainda é quase irrisório, a média de consumo nacional de carne ovina em 2004 foi de aproximadamente 700 g por habitante, nos países desenvolvidos está em torno de 20 kg por ano (Dias, 2009).
A cadeia produtiva da carne envolve desde o produtor ovino até a venda do produto no mercado final, portanto ela deve se organizar, se especializar e conhecer o perfil do consumidor de cada região para saber exatamente o que e como produzir, para conquistar novos mercados e continuar em expansão.
Referências:
CUNHA, E. A. et al. Produção ovina. Nova Odessa: Instituto de zootecnia, 2002.
DIAS V. [2009]. Estratégias fortalecem mercado de carne ovina. Disponível em: http://www4.usp.br/index.php/meio-ambiente/17065-estrategias-fortalecem-mercado-de-carne-ovina. Acesso em: 08 mar 2010.
FAO. FAO: Statistics. Disponível em: http://www.fao.org/corp/statistics/en/. Acesso em: 08 mar 2010.
IBGE. Banco de dados agregados. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/pecua/default.asp?t=2&z=t&o=22&u1=1&u2=1&u3=1&u4=1&u5=1&u6=1&u7=1. Acesso em: 08 mar 2010.
MARTINS, E. C.; GARAGORRY, F. L.; CHAIB FILHO, H [2006]. Comunicado técnico 67: evolução da ovinocultura brasileira no período de 1975 a 2003. Disponível em: http://www.cnpc.embrapa.br/cot67.pdf. Acesso em: 08 mar 2010.
SOUZA, D. A [2008a]. Mercado doméstico da carne ovina: qual a situação e para onde estamos indo?. Disponível em: http://www.farmpoint.com.br/mercado-domestico-da-carne-ovina-qual-a-situacao-e-para-onde-estamos-indo_noticia_42406_1_2_.aspx. Acesso em: 08 mar 2010a.
SOUZA D. A [2008b]. Carne ovina: produção doméstica e importações 2008. Disponível em: http://www.farmpoint.com.br/carne-ovina-producao-domestica-e-importacoes-2008_noticia_47320_1_2_.aspx. Acesso em: 08 mar 2010.
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